Sábado, 29 de Outubro de 2011

Capitulo 13 de Pride - Not found

Já tinha saudades disto.

Como meu pc se foi o gif vem mais tarde, mas também não é o mais importante, apesar de eu detestar não postar uma foto ou imagem :c.

Enfim. Enjoy!

 

Capitulo13  - Dia 46.

 

Por um segundo Cally olhou para os vidros que estavam no chão e quando ergueu o olhar deparou-se com uns olhos verdes raros semelhantes aos dela. Dando dois passos para trás surpreendida com os seus olhos viam sentiu-se cair. Sentir as escadas contra os seus ossos era como se os tivessem a esmagar, mas a dor, não podia nem sequer ser comparada com à que ela sentia naquele momento. Ele estava ali diante dela, pouco mais alto, mas mesmo assim era uma diferença notória, ainda tinha os mesmos olhos verdes, o mesmo estilo, o mesmo corte de cabelo. A maneira como a olhava tinha tantas misturas de sentimentos que era quase impossível descrever.

                Quando parou de rebolar pelas escadas Cally olhou para cima dorida e surpreendeu-se ao vê-lo a pegar na sua mão e os seus lábios a moverem. Ela não conseguia ouvir nada apesar de saber que ele lhe perguntava se estava bem. Não valia a pena responder, ela nunca esteve, apesar de dizer o contrário.
                -Mana, fala comigo – aquelas palavras fizeram-na acordar. Mana? À quanto tempo é que ela estava sem ouvir isto? Quanto tempo é que ela pensou que nunca mais o iria ouvir.
                -Lucas – murmurou baixinho levantando-se. Todos os rapazes e Lily a olhavam sem saber o que dizer e tão confusos como ela. De repente, Cally abanou a cabeça e fechou os olhos saindo dali num passo consideravelmente rápido mas o suficiente para Will a acompanhar.
                -Cally…
                -Cala-te. – Pediu ela. Ela precisava de pensar e não conseguia, havia um nó no cérebro dela que a fazia ficar cada vez mais confusa. – Ela vai ter que me explicar isto. – Disse entrando em casa praticamente a correr. Passou pela sala onde estaca Gordon a fazer os trabalhos, ao vê-la entrar nem ligou, era assim há algum tempo, porque quando ligava era a pior coisa que podia acontecer. Subiu até ao terceiro andar e entrou no quarto onde estava a sua mãe com o famoso Agente do FBI.
                -O que é que ele faz aqui? – Perguntou ela, Will vinha atrás dela tentando acalma-la mas era impossível. Anita olhou-a confusa.
                -Fala baixo, o teu pai está ali em baixo – murmurou Will ao seu ouvido.
                -Não podes entrar assim dela maneira Cally – ralhou a mãe – e tu sabes muito bem que o Thomas está aqui porque eu quero e tens que me respeitar.
                -Eu não estou a falar dele – respondeu-lhe Cally com uma expressão enojada na cara. - Eu estou a falar do meu falecido irmão. – Anita empalideceu e as desconfianças que Cally trazia tornaram-se certezas. – Mãe… porque é que o meu irmão está vivo? – Perguntou cerrando os dentes. Will massajou um dos seus braços como um pedido para ter calma e olhou para Anita.
                -Ele apareceu em minha casa… - Foram as únicas palavras que disse.
 Anita sentou-se abatida e com Thomas de volta dela que lhe pedia para ter calma, tal como o Will fazia à amiga.
                -Eu estou à espera mãe. – fez uma pausa e a mãe não falou - Porque é que eu estive cinco anos a pensar que o meu irmão tinha morrido? – Só não gritou porque sabia que o pai tinha ouvidos de falcão e que mal a ouvisse vinha logo bisbilhotar.
                -Will – disse baixinho Anita pedindo com o olhar que Will saísse. Ele assentiu e ia a preparar-se para sair mas Cally agarrou-o apontando para o agente com o queixo.
                -Se ele fica o Will também. Ele sabe de tudo e tenho certezas que está tão confuso como eu. – Disse sentando-se num sofá que estava à frente na cama enquanto puxava Will para ficar com ela. Anita assentiu levemente e virou-se para ela engolindo em seco. Thomas apenas se movimentou para fechar a porta e se voltar a sentar ao lado dela.
 Como dois estalos, Cally percebeu o que se passava.
                -Ah! Agora percebo a vossa relação. Tu – disse apontando para Thomas – aproximaste-te da minha mãe porque já sabia o que o meu pai fazia…
                -Mas depois ao ver-te fiquei mais intrigado em ti. És tão jovem e já mataste tantos como o teu pai. – Interrompeu-a Thomas, deixando-a irritada. – Eu amo a tua mãe, mas a vossa história é…
                -De sonhos – ironizou Cally – eu vivo num paraíso em que mato e não morta. – Sorriu desdenhosamente sentindo-se a ferver de raiva. – Mas eu pedi à minha mãe para falar. – Anita voltou a fitar o chão e suspirou. – Porque é que não me ajudaste? – murmurou - Eu precisei de ti, tanto… e eu tentei com que as tuas depressões se curassem e que voltasses ao normal, e cada vez que conseguia eu é que me ia a baixo e tu não estavas lá – acusou-a. Will olhava-a espantado, ele sabia que ela sofria só não tinha imaginado que era tanto.
Anita já estava a chorar e ainda não tinha aberto a boca.
                -Pára Cally, não vês o estado da tua mãe? – resmungou Thomas. Cally, irritada e fora de si levantou-se indo na direcção dele.
                -E o meu estado? Eu não importo, não é? Sou apenas mais uma criminosa que por aí anda e que queres prender. – Cally arrepiou-se apesar de se sentir demasiado quente. – Eu quero saber porque é que ele está vivo! – Gritou mordendo o lábio inferior, com força, para não desatar ali a chorar.
                -Quando eu o encontrei…  - começou a mãe – e chamei uma ambulância eu percebi tudo assim que o teu pai disse que não valia a pena. – Pela primeira vez, Anita olhou para Cally com olhos de ver – Se tu te tivesses visto ao espelho… estavas assustada e derrotada, mas mesmo assim os teus olhinhos inocentes deixaram de o ser assim que incriminaste o teu pai por eles. – Cally enrugou a testa percebendo nada do que ela dizia. - O teu olhar para o teu pai quando ele disse que já não valia a pena incriminou-o e eu soube a partir daí que ele tinha causado isto tudo – suspirou Anita indo ajoelhar-se à sua frente – Eu nunca deixei de te prestar atenção Cally, eu juro. Mas eu tive tanto medo… mudaste radicalmente e sempre que olhava para ti não via mais uma menina inocente mas sim uma menina cheia de medo.
                -Eu não tenho medo – negou.
                -Isso é mentira. – Interrompeu Thomas. Cally olhou-o ameaçadoramente e cerrou os dentes ainda com mais força. Anita suspirou e decidiu continuar a falar.
                -Eu fui na ambulância com o teu irmão e de inicio tanto eu como os médicos pensaram que ele estava morto, mas já lá dentro, com os devidos aparelhos, todos percebemos que ele estava vivo apesar de tudo. – Anita abanou a cabeça – entrou em paragem respiratória e cardíaca tantas vezes que nem consigo contar pelos dedos das mãos, mas chegámos ao hospital e conseguiram estabiliza-lo.
                -Como o que é que o pai não soube? Essa história está tão mal contada – acusou sentindo Will a apertar-lhe a mão. Anita olhou para baixo.
                -Subornei o rapaz que ia a conduzir a ambulância e um médico neurologista que nos atendeu. – acusou-se – Foi uma viagem mais longa e com mais riscos, mas ele agora está vivo.
                -E porque é que só me disseste agora? – Gritou Cally com os punhos fechados.
                -Porque ninguém a não ser eu acreditava que ele ia conseguir acordar. Todos os médicos me disseram que o corpo dele não tinha aguentado a tanta paragem que tinha acontecido dentro dele, nem à cirurgia que correu horrivelmente mal – desculpou-se a mãe de Cally. Ela calou-se.
                -Mas ele acordou. – Foi Will que falou e tinha um sorriso estampado no rosto.
                -Ele acordou há três meses. Passou dois deles na fisioterapia sem se lembrar de nada nem de ninguém. Acordou para a vida à uns dias.
Cally sentiu uma impressão no nariz e outra na garganta que cada vez subia mais e só passou quando duas lágrimas rechonchudas passaram pelos seus olhos.
                -Ele chamou-me… mana – disse entre soluços e Anita abraçou-a. - Eu pensava que nunca mais o… ouviria a dizer isso. Obrigada mãe. – disse baixinho.

 

Dia 50

 

                Ele não tinha aparecido mais, assim que Cally tinha saído assustada e confusa, Luke não voltara a aparecer. A irmã tinha fartado de procurar, tinha perguntado a Anita, mas nem ela lhe conseguia dizer nada.
                -Cally, anda eles já puseram as coisas na carrinha – disse Ivan com a guitarra de Will às costas. Cally assentiu levantando-se pesadamente do sofá e indo para o novo carro que Will comprara. Desde o estádio, onde tinham dado o concerto até casa de Cally, nenhum deles deram um piu. Todos tinham ficado abatidos com o aparecimento de Luke e quando Cally aparecia eles ainda ficavam mais.
                -Devias procura-lo – disse Will ao portão de casa de Cally.
                -Estou farta de fazer isso, não o encontro em nenhum lado.
Will suspirou e dei-lhe um beijo na cabeça dizendo-lhe um breve xau e indo para casa. Antes de abrir a habitual porta de entrada Cally deteve-se e voltou a sair abrindo o portão grande para onde dava o pátio de sua casa. Uma coisa que não tinha reparado em cinco anos era que o cesto de basquete tinha sido arranjado. Também… não passava por ele à cinco anos assim como também não ia à garagem. Andou um pouco mais até ao jardim das traseiras e olhou para a árvore que continha uma casa. Era pequena, agora que ela estava um pouco mais alta. Colocou um pé no degrau e outro no outro e subiu-o mais rápido do que alguma vez tinha subido. Ao abrir uma mini portinha de madeira assustou-se ao sentir-se ser puxada para dentro embatendo com a cara na madeira dura. A pessoa que o tinha feito afastou-se abrindo a boca com o que tinha feito e quando Cally voltou a abrir os olhos e a levantar a cabeça olhou para Luke que estava, agora, encostado num canto a olhar para ela.
                -Não me olhes assim. – pediu ele baixando  o olhar – a mãe não me pára de olhar assim desde que abri os olhos. Eu estou farto. – aborreceu-se.
                -Não te estou a olhar de maneira nenhuma – resmungou. Era uma bela frase para a primeira que lhe fez depois de cinco anos a pensar que tinha morrido.
                -Estás, parece que viste um fantasma.  – Encolheu os ombros – sei que não fazem por mal, mas… não gosto, faz-me sentir di… - Cally atirou-se para os seus braços com as lágrimas a caírem impacientemente.
                -Eu tive tanto medo – admitiu – estes anos todos, sem ti foram pior que horríveis. Eu é que estive morta Luke. Eu matei tanta gente por causa dele e… cheguei a pensar que gostava mas… - abanou a cabeça no ombro dele – não. É horrível, há tanto sangue e tantos gritos – arrepiou-se agarrando-o com mais força só para ficar com a sensação de o ter nos braços. – não me odeies, por favor.
                -Lee – foi apenas o que disse enquanto a acolhia nos seus braços.
                -Eu vi tudo Luke, eu fiquei com medo – estremeceu enquanto se deixava chorar no colo dele.
                -Eu sei. – Aquilo calou-a e ela percebeu que Luke a tinha perdoado, no que quer que ela tenha feito.  – Sabes porque é que não mataste o Thomas naquele dia?  - Perguntou ainda a agarra-la. – Porque aqueles miúdos fizeram-te lembrar-te de nós. – Respondeu não lhe dando tempo de o fazer. Ela recordava-se, aqueles miúdos eram a coisa mais parecida deles os dois à cinco anos atrás que ela alguma vez tinha visto. Gémeos, unidos e irmãos que se amavam mutuamente.
                -Eu devia ter aparecido – murmurou ela – naquele dia, devia ter tido coragem.
                -Não, não devias, acabávamos os dois mortos e depois como era? – Perguntou em tom de brincadeira apesar do assunto ser sério. Cally sorriu enquanto se afastava e limpava as lágrimas.
                -Tens fome? – Perguntou sabendo que sim, ele tinha sempre fome.
                -Estou a morrer de fome – confessou levando as mãos à barriga.

 

Dia 54

 

                -Cally… - Hellen olhava para ela sorrindo mas ao mesmo tempo demasiado séria.
                -Hellen…
                -Como te sentes? – Perguntou ela. Cally abanou os ombros não se sentia nem bem nem mal, continuava com um peso sobre as costas porque, Luke podia não estar morto, mas andava demasiado perto e se Gordon descobrisse estava tudo lixado novamente. – Eu preciso de te confessar algo. – Disse num tom de confidente levantando-se e indo sentar-se com ela.
                -No início, quando apareceste no meu consultório e disseste que matavas pessoas, eu pensei em ligar a um hospital para te internar. – Cally riu-se nervosamente. – Estou a falar a sério.  Assumi-te como uma pessoa que tinha problemas mentais, talvez como uma psicopata, porque… tu tinhas tudo, inteligência, dinheiro, um pouco de fama por causa do teu pai, eu investiguei-te e tu tinhas tudo… - repetiu suspirando – tu só podias ser uma pessoa desequilibrada.
                -Eu era – interrompeu-a Cally. Hellen fez uma careta abanando a cabeça para os lados.              -Eras, mas não tanto como eu pensava. Tu tinhas problemas e… apenas pensei que eu não os conseguisse resolver, porque tu matavas pessoas Cally. Tu tiravas vidas – Cally baixou a cabeça – mas eu comecei a compreender-te aos poucos e percebi que tu não precisavas de ir internada ou presa. Não precisavas de sedativos nem choques eléctricos, precisavas que eu te esclarecesse as ideias e que eu fosse tua amiga. – A paciente manteve-se calada, Helen nunca tinha dito nada sobre o que pensava dela, e agora estava finalmente a desabafar. - Quando andava na faculdade a estudar psicologia pensava que pessoas que matavam outras, como o teu caso… - disse agora um pouco atrapalhada – pensava que elas acabariam por enlouquecer e continuassem sem noção.
                -Eu… - Helen mandou-a calar.
                -Não Calypso tu não enlouqueceste tu foste a baixo porque aquela vida… é um horror e tu viveste cinco anos num pesadelo, agora... – A psicóloga olhou-a e expirou como se estivesse a apanhar ar fresco – e agora estás bem e eu sei que tu já não precisas de mim. O teu irmão está bem, tu estás bem com a tua mãe, o Thomas não te vai denunciar porque…
                -Eu já percebi Helen – sorriu Cally – vocês estavam todos combinados, o Thomas descobriu-me com a minha mãe e eles falaram contigo sobre tudo.
                -Tu captas tudo – riu-se a psicóloga e depois assentiu – sim… mal a tua mãe viu o meu cartão contigo contactou-me e explicou-me tudo. Pensava que era uma doida mas aceitei porque era um desafio, mesmo assim, não consegui deixar de pensar que tu eras uma psicopata com problemas mentais e que devias ser internada.
 Cally abriu a boca fingindo-se ofendida.
                - Então eras muito boa para actriz Helen! – Ela riu-se.
                -Mas eu gostei de ti – encolheu os ombros – quando começaste a falar comigo e me disseste que não me querias matar eu percebi tudo. Bem… - suspirou – estás livre Cally, as nossas consultas não vão ser tão regulares a partir de hoje e eu vou continuar com a minha vida.
                -Mas… o meu pai… - começou e mais uma vez Helen mandou-a calar-se.
                -Tem confiança em ti e continua com cuidado.

publicado por Cate J. às 18:17
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3 comentários:
De avery. a 29 de Outubro de 2011 às 19:49
omg... este capítulo está do melhor que podia haver!
Quero mais e mais depressa, se poder ser...

kisses


De Eleanor. a 22 de Novembro de 2011 às 22:39
A-M-E-I!!!! :d


De Andrusca ღ a 10 de Dezembro de 2011 às 12:29
ohh, ele está vivo *-*
(sim, finalmente me vim actualizar xD)
Foi lindo, lindo, lindo +.+


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